quarta-feira, 10 de abril de 2013

Luzes, cores.

Sempre senti que existe um liame em nossa realidade que separa duas perspectivas diferentes de vida.

Uma, convencional, que a esmagadora maioria das pessoas vê e sente. Essa perspectiva não é mais profunda que uma poça d'água. É a velha vida do "nascer, crescer, morrer", entrecortada por momentos essenciais como "aprender a ler, estudar, ~ser alguém na vida~, ~ter dinheiro e sucesso~, etc.". Pessoas que vivem sob essa realidade não conseguem ver nada além de suas vidas incompletas, as pessoas que queriam ser, o emprego que gostariam de ter, o mal que fulano causou a cicrano, o preconceito do outro, a conta a pagar, a casa a ser limpa, o lixo se acumulando, o ônibus que não chega, o neguinho que tentou puxar o tapete do outro, a final do reality show. O horror.

Do outro lado, existe algo tão sutil que chega a ser imperceptível, parece inexistente; mas é também tão luminoso e vibrante que dói nos olhos da alma. Uma sensação de grandeza, de preenchimento que não encontra palavras. Parece uma realidade paralela, e num estágio tão mais avançado, que nem toda altura parece conseguir alcançar.

Acredito que a maioria de nós vive exatamente nesse liame. Vez ou outra vagamos de um lado para outro, indefinidamente. Alguns mais para lá, outros mais para cá.

Sinto pena de quem vive inserido quase cambaleante na primeira. Invejo tristemente os que conseguem se adentrar consciente e constantemente na segunda. 

Morro de saudade da luminosidade. A falta me dói e pesa à cada música bonita que ouço. À cada tarde ensolarada. Se tantas coisas lindas já existem por aqui, quantas maravilhas mais existirão além?

                            
                   Assim como essa música é linda (só não encontrei um vídeo melhor, sorry).

Um comentário:

Patrícia N. disse...

A luz é o oxigênio da alma, lindo texto :)

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