sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A eles

Minha saudação aos ignorantes.

À essas pessoas que andam por aí querendo sempre furar filas, passar a perna, encher o saco.
Que não respeitam aos mais idosos, muito menos às crianças de colo.
Que param bem na nossa frente no meio da calçada de repente e, ainda assim, acham ruim caso esbarramos nelas sem querer, no meio do susto.
Que não prestam atenção ao seu redor e atrapalham nosso caminho.
Que, mesmo vendo que estamos a centímetros de distância de uma porta, saem correndo alucinadamente à nossa frente, atropelando tudo o que estiver adiante, pelo simples prazer de não nos deixar entrar logo.
Aos boçais que se acham no direito de se intrometer onde não são chamados.
Aos grossos que são tão delicados quanto um elefante, mesmo quando estamos querendo apenas ajudá-los.
Aos inflexíveis e alienados que não vêem um palmo diante dos olhos e, mesmo nessa condição, querem nos fazer acreditar que a opinião deles é a certa, e que devemos segui-los cegamente.
Aos iludidos pelo materialismo, que mesmo não tendo o que comer no dia seguinte, não perdem a pose de filhinhos-de-papai.
Aos corruptos, covardes, babacas de toda espécie.
E àqueles que preferem viver no preconceito absurdo de situações ultrapassadas.

A todos esses tipos ignorantes, meu aceno distante, repleto de compaixão (em outras palavras: dó). Mal sabem eles que são "abençoados". Pois como disse John Lennon, "a ignorância é uma espécie de 'bênção': quando menos se sabe, menos se sofre."


Acho que ainda assim prefiro "sofrer".
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(escrevi isso depois de meses me impressionando cada vez mais com a quantidade de gente indelicada e mal educada que vejo pelas ruas de São Paulo)
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